AV-MTC 300 retorna e Brasil se aproxima da era do ataque de 300 km
O Brasil realizou com sucesso um lançamento de teste de seu míssil de cruzeiro AV-MTC 300 fabricado localmente após uma pausa de quatro anos, revivendo um programa estratégico para desenvolver uma capacidade de ataque de precisão de 300 quilômetros.
O lançamento em Marambaia, o Centro de Avaliação do Exército no Rio de Janeiro, foi o primeiro voo desde março de 2022 e aproximou o sistema da certificação, embora ainda não tenha sido aceito para serviço operacional.
A Avibras Aeroco e o Exército Brasileiro disseram que o míssil atendeu a todos os objetivos da fase de verificação de voo, mas as informações em aberto não detalharam o caminho, a precisão do impacto, os resultados da telemetria ou a configuração do sistema no momento do teste mais recente.
O teste tem implicações além dos avanços de engenharia, já que o AV-MTC 300 tem o potencial de transformar o lançador de artilharia de foguetes ASTROS em uma plataforma de ataque remoto resiliente, capaz de ameaçar centros de comando, bases aéreas, portos e centros logísticos.
A compatibilidade permite que o Brasil expanda suas capacidades de tiro de longo alcance sem adquirir uma nova família de veículos, mantendo assim o sistema de comando e controle do ASTROS e reduzindo o peso de treinamento, manutenção, transporte e infraestrutura adicional.
Cada veículo ASTROS compatível é capaz de transportar dois cilindros fechados de mísseis, além de continuar usando outros foguetes por meio da troca de pods para realizar fogo de campo de batalha, ataques de saturação ou operações precisas de interceptação.
No entanto, o programa ainda está na fase de certificação e ainda não se tornou uma capacidade operacional, pois alguns voos instrumentados, testes reais de explosivos, documentação, qualificações operacionais, treinamento de tripulação e produção em série ainda são necessários.
A retomada do programa também testou a capacidade do Brasil de manter sua soberania sobre o projeto e a fabricação de mísseis após Avibras estar preso a dívidas, problemas trabalhistas, demissões, reorganização judicial e uma greve que durou cerca de 1.280 dias.
O CEO da Avibras Aeroco, Sami Hassuani, descreveu a arma como "pronta" e apenas aguardando certificação, mas a avaliação corporativa não pode ser comparada à aceitação ou prontidão oficial das Forças Armadas em um ambiente de guerra eletrônica.
O Brasil anuncia um alcance máximo de 300 quilômetros e uma cabeça explosiva de cerca de 200 quilos, em conformidade com as diretrizes do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis, enquanto as alegações de alcance de 450, 500 ou 1.000 quilômetros ainda são não oficiais e não confirmadas.
Para os planejadores militares regionais, a importância imediata do sistema não está na reivindicação de alcance adicional, mas na capacidade de ataques ao solo até 300 quilômetros por meio de lançadores móveis, veículos de apoio dispersos e rotas de voo programadas.
Se os testes restantes forem concluídos, o AV-MTC 300 poderá fortalecer a dissuasão convencional e a autonomia da indústria de defesa brasileira e oferecer opções precisas de exportação de ataques, mas a continuidade do financiamento, recuperação da produção e certificação de explosivos permanece incerta.
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