Jatos russos de ataque Su-24 escoltam voo do presidente de transição do Mali General Assimi Goïta para Moscou

 

Um Tupolev Tu-154M da Força Aérea Russa transportando o presidente de transição do Mali, General Assimi Goïta, partiu de Bamako para Moscou, com duas aeronaves de ataque Sukhoi Su-24 do Corpo Africano da Rússia escoltando parte da rota. A imagem de jatos de combate russos escoltando a aeronave de um chefe de Estado da África Ocidental é marcante, e ela chega justamente em um momento em que Bamako silenciosamente se tornou sede de uma das maiores implantações de aviação de combate de Moscou no continente.

A viagem marca a primeira visita internacional conhecida de Goïta desde a ofensiva rebelde e jihadista coordenada de 25 de abril de 2026, um ataque que matou o Ministro da Defesa do Mali, General Sadio Camara, e desencadeou a perda da cidade de Kidal para uma aliança da Frente de Libertação de Azawad (FLA), um movimento separatista liderado por tuaregues, e da Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM). uma coalizão afiliada à al-Qaeda. Nesse contexto, uma viagem a Moscou com uma escolta de caças transmite sua própria mensagem, tanto ao público maliano quanto aos grupos armados que agora disputam grandes partes do norte.

Goïta viajou a bordo de um Tupolev Tu-154M configurado para (VIP), matrícula RA-85123, operando sob o indicativo RFF806, um prefixo associado aos voos do governo da Força Aérea Russa. Voado pela primeira vez em 1982, o Tu-154M é a versão final e mais refinada da clássica família Tu-154 de três motores e fuselagem estreita que serviu como espinha dorsal da aviação civil soviética e russa por décadas. Ele ganhou reputação por sua robustez e por sua velocidade de cruzeiro notavelmente rápida para um avião comercial de sua geração.

Ao estabelecer um centro de aviação permanente e fortemente defendido em Bamako, a Rússia construiu mais do que uma base para a campanha de contra-insurgência de um único país. Criou uma plataforma de lançamento capaz de projetar poder aéreo para o leste, em direção a Burkina Faso e Níger, ambos expulsaram  forças francesas e americanas, assinando acordos de cooperação militar com Moscou e combatendo insurgências. Um único nó logístico consolidado em Bamako permite efetivamente que a Rússia atenda três governos militares aliados a partir de um único local, reforçando o bloco da Aliança dos Estados do Sahel que passou a definir os arranjos de segurança pós-ocidentais da região.

O treinamento e o trabalho de infraestrutura continuam em Bamako, e o Ministério das Relações Exteriores do Mali sinalizou que novas entregas de aeronaves de combate estão em andamento. Visto nesse contexto, a viagem de Goïta a Moscou, sua primeira viagem ao exterior desde os ataques mais mortais de sua presidência, parece menos uma visita diplomática rotineira e mais um momento para avaliar uma parceria que transformou fundamentalmente o espaço aéreo do Sahel em menos de dois anos.



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