Reino Unido incapaz de novas compras de vulto de armas até 2030 devido ao déficit orçamentário
As forças armadas do Reino Unido não podem aumentar significativamente suas capacidades de defesa, pois a falta de financiamento impedirá o governo de comprar novas armas até 2030. O General Sir Richard Barrons, ex-chefe do Comando das Forças Conjuntas, afirmou isso, conforme reportado pelo The Times.
O governo não reservou fundos orçamentários para adquirir sistemas modernos como drones kamikaze, munições de patrulha e tecnologias militares movidas a IA.
Uma falta crítica de investimento está drenando a base industrial do país e forçando empresas de defesa de alta tecnologia a transferirem operações para o exterior. Segundo o general, o Exército Britânico mal consegue cobrir os custos das plataformas tradicionais – tanques, helicópteros e artilharia.
Essa situação contradiz diretamente o conceito estratégico '20-40-40' promovido pelo Chefe do Estado-Maior Geral, General Sir Roly Walker. A fórmula prevê que apenas 20% da capacidade futura de combate do exército consistirá em plataformas tradicionais, enquanto os 80% restantes serão compostos por sistemas descartáveis de baixo custo e drones autônomos.
Atualmente, o Reino Unido não pode arcar com esse financiamento de uma parcela maior das armas modernas.
Richard Barrons enfatizou que a Marinha Real e a Força Aérea Real também estão com falta de recursos. Eles não têm financiamento suficiente para restaurar totalmente sua eficácia operacional. A inação do governo levou desenvolvedores britânicos bem-sucedidos a "seguir o dinheiro" para Alemanha, Polônia e Estados Unidos, onde os contratos de defesa são mais estáveis e substanciais.
Diante da crise do Reino Unido, o general destacou o progresso da Alemanha, destacando seu aumento significativo nos gastos com defesa. Até o final da década, espera-se que Berlim gaste cerca de £165 bilhões em suas forças armadas – superando os orçamentos combinados de defesa do Reino Unido e da França.
Embora o primeiro-ministro Keir Starmer tenha prometido atingir a meta de 2,5% de gastos com defesa da OTAN para o PIB até 2035, ele ainda não apresentou um cronograma claro de como esse plano será implementado.
Outra questão chave é a publicação e adoção do Plano de Investimento em Defesa (DIP). Este documento tem como objetivo dar confiança às empresas no futuro por meio de compromissos de aquisição de longo prazo do Ministério da Defesa. No entanto, apesar das promessas repetidas, o governo ainda não tomou medidas concretas.
Isso também causou alguma frustração entre os países envolvidos em programas conjuntos com o Reino Unido. Por exemplo, o Japão criticou repetidamente o governo britânico por atrasos no desenvolvimento do programa de caças de sexta geração GCAP, no qual o Reino Unido não investiu os fundos previamente prometidos. Além disso, o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, criticou o Reino Unido por não querer compartilhar tecnologia dentro do GCAP (Global Combat Air Program), o projeto conjunto para desenvolver um caça de sexta geração.
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