O escândalo Toshiba-Kongsberg: a descoberta da venda de tecnologia de ponta para os submarinos da União Soviética nos anos 80

 

O escândalo Toshiba-Kongsberg foi um dos maiores incidentes de espionagem industrial e violação de segurança ocidental da Guerra Fria. Ocorrido na década de 1980, o caso envolveu a venda ilegal de tecnologia de ponta da empresa japonesa Toshiba Machine e da estatal norueguesa Kongsberg Vaapenfabrikk para a União Soviética. Essa transação permitiu que os soviéticos construíssem submarinos nucleares extremamente silenciosos, neutralizando a principal vantagem estratégica da Marinha dos Estados Unidos.

A União Soviética sofria com um grande problema tecnológico: a hélice de seus submarinos gerava muita turbulência na água (cavitação), criando ruídos fáceis de detectar pelos sonares da OTAN a centenas de quilômetros de distância.

O Hardware: A Toshiba Machine (subsidiária da Toshiba) vendeu fresadoras de grande porte com múltiplos eixos dinâmicos (modelos MBP-110), capazes de esculpir hélices navais com precisão cirúrgica.

A Kongsberg Vaapenfabrikk forneceu os computadores de controle numérico (CNC) que operavam essas máquinas.


A Fraude: Ambas as empresas falsificaram os documentos de exportação para os governos do Japão e da Noruega, alegando que as máquinas eram equipamentos civis simples de apenas dois eixos

A venda violou diretamente as regras do CoCom (Comitê Coordenador para o Controle Multilateral de Exportações), o órgão ocidental que proibia o envio de tecnologia militar ou estratégica para o bloco comunista.


O esquema operou secretamente entre 1982 e 1984. As máquinas foram instaladas no estaleiro naval de Leningrado. A farsa veio à tona no final de 1986, após a denúncia de um ex-funcionário de uma empresa comercial japonesa envolvida na logística. 

O impacto militar foi devastador para o Ocidente. Pouco tempo após a instalação do maquinário, a União Soviética lançou novos submarinos, incluindo as classes Akula e Sierra, que eram drasticamente mais silenciosos. Oficiais do Pentágono estimaram que rastrear esses novos alvos custaria bilhões de dólares em pesquisas e novas tecnologias de sonar.


A descoberta do caso gerou uma crise diplomática severa entre os Estados Unidos e seus aliados:

Fúria em Washington: Políticos americanos protestaram publicamente. Em uma cena marcante que dominou os jornais da época, congressistas usaram marretas para destruir um rádio da Toshiba nos jardins do Capitólio. O Senado americano aprovou sanções e baniu as importações de produtos da Toshiba Machine por anos.


Medidas na Noruega e Japão: O governo da Noruega fechou o braço comercial da Kongsberg envolvido na venda e endureceu suas leis. No Japão, escritórios foram vasculhados, dois executivos da Toshiba Machine foram presos e o presidente e o CEO da corporação-mãe (Toshiba) foram forçados a renunciar devido ao dano reputacional.

A Toshiba gastou milhões de dólares publicando anúncios de desculpas em página inteira nos principais jornais dos Estados Unidos na tentativa de salvar sua fatia de mercado.




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