Embraer prevê que a África será o principal mercado para o A-29 Super Tucano nos próximos anos
A África está prestes a se tornar o maior mercado para o Embraer A-29 Super Tucano nas próximas duas décadas, com o fabricante brasileiro projetando cerca de 150 pedidos do continente nesse período. Essa avaliação, compartilhada com a mídia durante uma visita às instalações de produção da Embraer no Brasil em 10 de junho de 2026, coloca a África à frente de todas as outras regiões na previsão de demanda da empresa para 20 anos pelo turboélice de ataque leve e treinador.
Globalmente, o A-29 acumulou um impressionante carteira de pedidos. Vinte e duas forças aéreas selecionaram esse tipo, com mais de 300 aeronaves encomendadas até o momento. A Embraer adicionou 39 unidades a esse catálogo de pedidos em menos de 24 meses, sendo os clientes mais recentes o Uruguai, que fez cinco, o Panamá com quatro, e a Sierra Nevada Corporation (SNC) dos Estados Unidos adquirindo um. Um cliente não divulgado assinou por quatro aeronaves em janeiro, um contrato amplamente acreditado representar o Togo, embora a Embraer não tenha confirmado publicamente a identidade.
A relação da África com os Super Tucanos não é nova. O modelo construiu uma presença substancial em todo o continente, com operadores confirmados incluindo Angola, Burkina Faso, Mali, Mauritânia e Nigéria, além de Togo anteriormente citado.
Na Nigéria, a frota é usada contra o Boko Haram e alvos no noroeste; no Mali e em Burkina Faso, a aeronave apoia operações de contra-insurgência contra grupos jihadistas, incluindo a Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM). Os A-29 de Burkina Faso estiveram entre os primeiros no continente a realizar ataques antiterroristas reais.
A Força Aérea de Gana (GAF) tem acompanhado o programa há anos sem se comprometer. Embraer e SNC realizaram uma demonstração aérea na Base Aérea de Accra em fevereiro de 2024, e a liderança da GAF expressou interesse publicamente na época. Gana ainda não assinou um contrato.
Os números por trás do programa são difíceis de ignorar. Somente nos últimos sete anos, o Super Tucano conquistou 72% de participação no segmento de ataque leve, com 71 aeronaves vendidas desde 2019. Em comparação, plataformas rivais foram vendidas em números muito menores: sete Paramount Mwaris, oito Textron AT-6 Wolverines e cinco aeronaves Hurkus-C da Turkish Aerospace Industries no mesmo período.
O Diretor de Marketing de Defesa e Segurança da Embraer, Marcio Monteiro, disse à imprensa na coletiva de 10 de junho que a empresa prevê um mercado global de aproximadamente 500 aeronaves nos próximos 20 anos, com a África representando a maior parcela, com 28%. A América do Sul segue com 23%, com o Oriente Médio e a Ásia com 18% cada, e a Europa com 13%.
A aeronave já acumulou 625.000 horas de voo, das quais 65.000 são horas de combate, um número que indica uso operacional consistente, e não armazenamento estático em hangares da força aérea. "Esta plataforma continua relevante por suas capacidades multimissão", disse Monteiro.
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